Nos dias que passei em Montes Claros pude perceber como as pessoas desta cidade se sentem constrangidas quando necessitam de compartilhar suas dificuldades e solicitar ajuda. Embora tenha encontrado um povo alegre, que recebe o visitante muito bem, notei que quando é necessário falar sobre suas feridas e debilidades muitos se fecham e escolhem permanecer intocáveis.
No artigo publicado no TÔ DE OLHO de Dezembro de 2007, o missionário Carlos Bertilac, do Grupo de Amigos, expressou seu impacto diante da omissão das famílias desta cidade quanto à homossexualidade de seus filhos. Creio que este silêncio das famílias contribui para que muitos jovens não compartilhem suas dificuldades, dores e pecados. Como suas famílias vivem em silêncio, estes jovens mantém este comportamento e se isolam, na tentativa de resolverem sozinhos o que lhes aflige.
Estes filhos aprenderam a manter a intimidade escondida, silenciada; têm medo de partilhar suas vidas e serem rejeitados, abandonados ou decepcionarem seus pais, amigos, líderes, Deus.
Sem dúvida o silêncio nos esconde, mas não traz cura para nossa vida. Somos livres quando quebramos este voto de omissão e trazemos nossas questões mais íntimas à luz, orientados por pessoas que Deus, nosso bom Pai, levanta para cuidar de nós. A confissão traz cura e libertação porque nos une a outros tão humanos quanto nós.
Portanto, todos aqueles que querem ser livres devem quebrar este ciclo de silêncio, entender suas dificuldades e procurar apoio junto àquelas pessoas dispostas a lhes ajudar.
Jean Carlos Rosa
Concelheiro do Grupo de Amigos do Rio de Janeiro - GA
contato: gaconselha@gmail.com
Fonte: Tô de Olho
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